Um "polvo" na comunicação social (parte 1).
A RTP.
- RTP paga com dinheiro dos contribuintes viola o "Código de ética e conduta".
- Credibilidade da informação em causa por falta de transparência nos critérios de publicação de notícias.
- Provedor do Telespectador pressionado.

A informação e as notícias são importantes e por isso os media são considerados o 4º poder. Como vivemos num mundo imperfeito, em todo o lado podem acontecer irregularidades e os media não são nem poderiam ser uma excepção, embora alguns nos queiram convencer disso. Assim os media tanto podem informar e denunciar como manipular e enganar, por isso as regras e a transparência são fundamentais.
O normal é haver pessoas correctas e incorrectas em todo o lado. Assim temos de ficar preocupados quando existem classes onde parece que são todos correctos.
Os factos que descrevo a seguir têm relevante interesse público e por isso devem ser do conhecimento público. Também por isso publico a parte relevante dos emails trocados entre mim e a RTP.
Tive conhecimento do "bonito" Código de Ética e Conduta da RTP.
Onde na página 7 diz:
O presente Código de Ética e Conduta, a par de guias editoriais definidos pela RTP, é um documento de referência fundamental, devendo ser observado no desempenho das atividades dos administradores, responsáveis hierárquicos e de todos os trabalhadores e colaboradores externos da empresa, quer em Portugal quer no estrangeiro, sem prejuízo do cumprimento das leis e regulamentos em vigor e de outras normas aplicáveis em virtude das funções concretamente exercidas.
A observância deste Código é obrigatória e simultaneamente complementar à obrigação de cumprimento da legislação e regulamentação em vigor e às políticas e regulamentação internas estabelecidas pelos órgãos competentes da empresa ou resultantes de quaisquer códigos deontológicos existentes.
A violação das normas deste Código constitui falta grave e suscetível do procedimento julgado adequado.
Na página 8 diz:
Somos sérios e rigorosos.
Confiança - A confiança é o nosso valor basilar e o centro da relação com o nosso público. Somos independentes, imparciais e honestos. Estamos comprometidos com objetivos ao mais alto nível de imparcialidade, rigor e honestidade no tratamento da informação e dos programas que produzimos e exibimos.
E na página 9 diz:
Independência, Isenção e Rigor – Na prossecução do serviço público somos independentes do Governo, da Administração Pública e dos demais poderes públicos ou privados, asseguramos a liberdade de expressão e o confronto das diversas correntes de opinião. A nossa programação e a nossa informação não estão sujeitas a influências externas. As nossas decisões editoriais não dependem de quaisquer poderes públicos ou privados. Garantimos a precisão e a honestidade da nossa mensagem informativa e uma rigorosa equidistância perante quaisquer interesses públicos ou privados.
Qualidade – A nossa programação pauta-se por uma exigente ética de antena e pela promoção de conteúdos e atividades que representem uma mais-valia ao nível do saber e do conhecimento (educativo, informativo e cultural).
Mas como ninguém é correcto, isento, etc., apenas por dizer que o é e temos de acreditar, e também porque tinha conhecimento de factos com relevante interesse público que deviam ser notícia, resolvi fazer umas perguntas, perguntei:
Para RTP:
Encontrei no vosso site um documento "Código Ética Conduta da RTP" onde logo no início fala em guias editoriais definidos pela RTP. Eu não encontrei esse documento "Guias editoriais" e ele é importante. Podiam enviar-me esse documento ou informar-me onde o posso encontrar?
Tenho mais umas questões:
- Uma vez que nem tudo o que acontece pode ser notícia, qual o vosso critério de publicação de notícias?
- Como nem tudo tem a mesma importância, quais são as prioridades?
RTP:
Estimado Telespetador,
Agradecemos a sua mensagem, a qual mereceu a nossa melhor atenção.
No seguimento do seu contato, informamos que recolhemos o seu nome, telefone e e-mail e encaminhámos a sua questão para a área responsável.
Estaremos disponíveis para qualquer esclarecimento adicional, sem outro assunto, despedimo-nos, apresentando os nossos melhores cumprimentos e consideração,
Atenciosamente
Linha de Apoio da Rádio e Televisão de Portugal
Meu comentário:
Como podem ver, por enquanto muito atenciosos!
Para RTP:
Faz uma semana que enviei este e-mail e não obtive resposta. Não é que tenha passado muito tempo mas é suposto as questões que coloquei serem de resposta fácil, até porque outros já as devem ter colocado.
Uma vez que a minha mensagem mereceu a vossa melhor atenção, aguardo uma resposta.
RTP:
(Não respondeu)
Para Provedor do Telespectador:
Como pode ver em baixo no dia 11 depois de ter visto o "Código de Ética Conduta da RTP", enviei um e-mail para a RTP com umas perguntas.
Recebi logo uma resposta a informar que o e-mail tinha sido reencaminhado e que merecia a melhor atenção por parte da RTP.
Como não obtive resposta, no dia 19 insisti na resposta.
O site da RTP diz nas funções do Provedor:
"Recebo opiniões, críticas e sugestões dos telespetadores e encaminho-as para os responsáveis da RTP que mais diretamente as devem ter em conta, ou dar-lhes resposta. Procuro garantir que tal resposta é efetivamente dada".
Assim como continuo sem resposta, venho agora recorrer ao Sr. Provedor no sentido de obter uma resposta. Parece que alguns na RTP desconhecem o Código de ética e conduta da RTP!
RTP Provedor:
Peço desculpa pelo tempo que demorei a responder-lhe. Tentei coligir todos os elementos de resposta que consegui reunir para lhe poder escrever isto:
1. Parece-me muito mal que ninguém na RTP lhe tenha respondido. Estou seguro que o seu mail anterior foi encaminhado para uma qualquer estrutura da RTP que faltou ao respeito que as suas questões (como quaisquer outras) merecem;
2. As “Guias Editoriais” a que o Código de ética e Conduta da RTP se refere ainda estão para ser aprovadas pelos jornalistas. A Comissão que ficou encarregue de as escrever já terminou a sua redação, estando neste momento à espera de sugestões e propostas dos diversos corpos representativos dos jornalistas;
3. Quais os critérios de noticiabilidade e de hierarquização da importância aplicáveis aos acontecimentos? A RTP segue, neste campo, os mesmos critérios genéricos do jornalismo. Não é por deter a concessão do Serviço Público de Televisão que a RTP cria os seus próprios critérios jornalísticos. Pode fazer maior atenção à diversidade, pluralidade e inovação do que todos os jornalistas devem desenvolver, mas basicamente está obrigada aos mesmos critérios que regem a profissão.
Para Provedor:
Antes de mais agradeço a resposta pois isso demonstra alguma atenção com as pessoas.
No entanto não houve uma resposta directa às minhas questões. Dizer que a RTP segue os mesmos critérios genéricos do jornalismo para a publicação e hierarquização de notícias, não é uma resposta objectiva porque não diz quais são esses critérios.
Esta é mesmo uma pergunta interessante:
Quais os critérios de noticiabilidade e de hierarquização da importância aplicáveis aos acontecimentos?
RTP Provedor:
Pois a resposta à questão que coloca daria origem a um curso de jornalismo.
Como aproximação à questão pode ler alguns elementos aqui:
http://200.144.189.42/ojs/index.php/estudos/article/viewFile/5931/5402
e
http://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/813/2/MONOGRAFIAJOANADIAS.pdf
Para Provedor:
O primeiro link que enviou não está disponível, mas li o segundo.
Não compreendo como é possível que a RTP exista há tantos anos e quando eu coloco duas perguntas simples não haja uma resposta resumida e objectiva. De certeza que os chamados editores, sabem de cor e salteado quais os critérios que usam na publicação de notícias, é o trabalho deles todos os dias.
Com base no link que funcionou faço este resumo de critérios de noticiabilidade. Entre parênteses o meu comentário.
- Importância hierárquica das pessoas envolvidas.
- Relevância: Os acontecimentos importantes são aqueles que tem impacto na vida das pessoas. Impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional.
- Dimensão do acontecimento: Quantidade de pessoas que o acontecimento envolve.
- Os acontecimentos que têm uma duração mais prolongada são considerados importantes.
- Brevidade: É importante que as notícias sejam breves para que as notícias abranjam todos os acontecimentos do dia. (Não compreendo isto, as notícias não têm nem podem abranger todos os acontecimentos do dia, pois muitos não têm interesse. As notícias não têm de ser breves, as pessoas devem compreender o que aconteceu e porquê).
- Inversão à norma: "Se um cão morder um homem, não notícia. Mas se um homem morder um cão, já é notícia". Surpresa, quanto mais inesperado e raro for o acontecimento mais probabilidades tem de ser noticiado. Os acontecimentos importantes são aqueles que fogem à regra, os insólitos.
- Equilíbrio, um acontecimento que não é muito importante mas é único na área tem possibilidade de ser notícia. (Não compreendo, não tem de haver sempre notícias sobre todas as áreas, principalmente nas televisões).
- Personificação: O acontecimento é consequência da acção de uma pessoa.
- Negatividade, morte: Más notícias são boas notícias. Há mais notícias negativas que positivas.
- Acontecimentos de última hora. (Mesmo que não tenham importância alguma!)
- Clareza: A inexistência de dúvidas em relação ao acontecimento. (Não compreendo, é evidente que se há duvidas se o acontecimento realmente aconteceu, não deve ser noticia).
- Proximidade: Quanto mais próximo for o acontecimento, mais hipótese tem de ser noticiado.
- Custos: O envio de uma equipa tem custos altos, por isso o factor económico pesa bastante na noticiabilidade de uma ocorrência.
Entendo que as prioridades vão para os factos/acontecimentos que mais critérios destes cumprirem.
RTP Provedor:
Agradeço a sua mensagem. Creio que encontra nos 13 pontos que reteve, a resposta para as questões que levanta.
Para Provedor:
Uma pergunta importante:
Pergunto se os acontecimentos que estão de acordo com vários critérios de noticiabilidade, são notícia na RTP ou podem não ser por razões que desconhecemos?
RTP Provedor:
O que solicita é um curso de jornalismo que não lhe posso ministrar à distância. Sempre acrescento não existirem “razões que desconhecemos” na redação da RTP no que toca à definição daquilo que é noticiável daquilo que não é.
Para Provedor:
Disse-me que a RTP para seleccionar os acontecimentos que são notícia se baseia nos critérios de noticiabilidade que constam no link que me enviou. É evidente que os critérios de noticiabilidade não podem ter todos a mesma importância/relevância/peso e seria bom que pudéssemos saber quais as prioridades.
Se me diz que não existem na RTP razões que desconhecemos para a não publicação de notícias, então ainda bem que a resposta à minha pergunta é sim, são notícia.
(Faço aqui uma correcção, embora eu tenha dito "não publicação de notícias", o correcto é não publicação de factos que deviam ser notícia).
RTP Provedor:
(Não respondeu)
Meu comentário:
Como o Provedor não respondeu, então ainda bem que estamos de acordo.
Para Provedor:
Ontem vi mais uma "notícia" na RTP, Príncipe Harry anuncia noivado. E fiquei a pensar, qual o interesse disto para nós? Na minha opinião, nenhum. É um assunto interno do Reino Unido e só tem interesse para eles.
Depois quais os critérios de noticiabilidade?
Será a importância hierárquica? Entendo que não, a importância hierárquica que existe é importante no Reino Unido. Depois se uma pessoa com importância hierárquica for a uma festa, tem de ser notícia? Ou seja a importância hierárquica só por si não faz com que tudo que essa pessoa faça seja notícia.
Depois há o factor distância que desvaloriza o acontecimento e é normal que as pessoas se queiram casar. Portanto faz sentido a pergunta, porque razão foi notícia na RTP?
RTP Provedor:
A família real britânica é um clássico no campo dos fait-divers e estes alguma vez têm lugar nos noticiários. Sem ocuparem neles o lugar principal, ou serem notícias de abertura, os fait-divers e as curiosidades fazem o justo contraponto das notícias editadas por exclusivo e puro e duro critério jornalístico.
Meu comentário:
Sendo assim isto quer dizer que há falta de acontecimentos que preencham os critérios jornalísticos e por vezes recorrem a outros. Depois se há "puro e duro critério jornalístico" então têm de haver critérios objectivos a seguir.
Para Redacção da RTP com conhecimento do Provedor:
Assunto: Notícia sobre comportamento incorrecto de uma ONG.
Segundo informações que tenho, publicam notícias segundo os seguintes critérios de noticiabilidade:
- Importância hierárquica das pessoas envolvidas.
- Relevância: Os acontecimentos importantes são aqueles que tem impacto na vida das pessoas. Impacto sobre a nação e sobre o interesse nacional.
- Dimensão do acontecimento: Quantidade de pessoas que o acontecimento envolve.
- Os acontecimentos que têm uma duração mais prolongada são considerados importantes.
- Inversão à norma: "Se um cão morder um homem, não notícia. Mas se um homem morder um cão, já é notícia". Surpresa, quanto mais inesperado e raro for o acontecimento mais probabilidades tem de ser noticiado. Os acontecimentos importantes são aqueles que fogem à regra, os insólitos.
- Personificação: O acontecimento é consequência da acção de uma pessoa.
- Negatividade, morte: Más notícias são boas notícias. Há mais notícias negativas que positivas.
- Clareza: A inexistência de dúvidas em relação ao acontecimento.
- Proximidade: Quanto mais próximo for o acontecimento, mais hipótese tem de ser noticiado.
- Custos: O envio de uma equipa tem custos altos, por isso o factor económico pesa bastante na noticiabilidade de uma ocorrência.
Assim eu conheço factos sobre o comportamento incorrecto de uma ONG a nível mundial, que preenchem vários senão mesmo todos os critérios de noticiabilidade e portanto devem ser notícia.
(Resumo dos factos omitido agora por não terem relevância aqui)
RTP Redacção:
(Não respondeu)
RTP Provedor:
Agradeço a sua mensagem. Pelo que descreve, tal ONG não procedeu da forma mais correta.
Meu comentário:
O Provedor não contestou os argumentos que usei para concluir que os factos que indiquei deveriam ser notícia, ou seja está tudo bem mas mais à frente já não está. A redacção ao não responder, também não contestou o que referi.
Para Provedor:
Sim, mas pelo que estou a ver, há outros que também não procederam de forma correcta, não responderam.
O Sr. Provedor deve avaliar esse comportamento, até porque eu enviei o e-mail com base em informações que me forneceu e garantiu-me que factos que deveriam ser noticia, não seriam por razões desconhecidas.
Para Redacção da RTP com conhecimento do Provedor:
Enviei este e-mail e não obtive resposta. Penso ser uma violação do vosso Código de Ética e Conduta. Mas não há problema, ninguém sabe!
RTP Redacção:
(Não respondeu)
Para Provedor:
Sei que tem outras coisas para fazer, mas aguardo o seu comentário à actuação da redacção da RTP.
Aproveito para lembrar que lhe perguntei:
Pergunto se os acontecimentos que estão de acordo com vários critérios de noticiabilidade, são notícia na RTP ou podem não ser por razões que desconhecemos?
E a sua resposta foi:
Sempre acrescento não existirem “razões que desconhecemos” na redação da RTP no que toca à definição daquilo que é noticiável daquilo que não é.
Face à sua resposta eu respondi:
Se me diz que não existem na RTP razões que desconhecemos para a não publicação de noticias, então ainda bem que a resposta à minha pergunta é sim, são notícia.
Foi com base nisto que resolvi enviar um e-mail para a redacção a descrever determinados factos que segundo os critérios de noticiabilidade, deveriam ser notícia. E depois disso, já enviei outro. Pois mais uma vez não obtive resposta da RTP.
Afinal parece que determinados factos não são notícia na RTP por razões que desconhecemos. Aguardo o seu comentário.
RTP Provedor:
Sobre tudo o que tem escrito apenas tenho a acrescentar: há todos os dias milhões de acontecimentos que preenchem todos os critérios de noticiabilidade. Mas de todos estes apenas umas poucas dezenas são escolhidos para serem noticiados. Tudo depende da atualidade, i. é, da importância de outros que sucedem no mesmo intervalo de tempo.
Para Provedor:
Temos de ser rigorosos, todos temos regras a cumprir, todos temos direitos e deveres. Mas parece que os jornalistas só têm direitos, nada de deveres.
Há algum tempo eu perguntei-lhe objectivamente, quais os critérios da RTP para o publicação de notícias. Respondeu-me com alguns documentos que eu li e fiz uma lista de critérios de noticiabilidade que enviei para si e que aceitou. Como nem todos os critérios têm a mesma importância, eu perguntei-lhe quais eram as prioridades. Não houve resposta ou disse que para isso era preciso um curso de jornalismo. Então eu assumi que as prioridades iam para os acontecimentos que cumprissem mais critérios.
Uma vez que aceitou a lista de critérios de noticiabilidade e disse que era com base nesses critérios que a RTP publicava notícias, eu perguntei-lhe se acontecimentos que cumprissem esses critérios seriam notícia na RTP ou podiam não ser por razões desconhecidas. A sua resposta foi:
O que solicita é um curso de jornalismo que não lhe posso ministrar à distância. Sempre acrescento não existirem "razões que desconhecemos" na redação da RTP no que toca à definição daquilo que é noticiável daquilo que não é.
Não houve uma resposta concreta, mas como disse não haver razões que desconhecemos, eu respondi-lhe que então assumia que a resposta à minha pergunta era sim. Ou seja acontecimentos que cumprissem os critérios de noticiabilidade seriam notícias na RTP.
Foi como base nesta troca de e-mails que enviei um e-mail para a redacção com o seu conhecimento a descrever factos que esperava serem notícia.
Agora depois de algum trabalho que tive, vem dizer-me que afinal a RTP não segue a lista de critérios de noticiabilidade porque senão haviam milhões de acontecimentos e a RTP só escolhe algumas dezenas.
Mas as minhas perguntas iniciais eram bem claras, eu perguntei:
- Uma vez que nem tudo o que acontece pode ser notícia, qual o vosso critério de publicação de notícias?
- Como nem tudo tem a mesma importância, quais são as prioridades?
O que eu perguntei é quais os critérios usados para escolher essas dezenas que falou. Em relação a isso diz que depende da simultaneidade de acontecimentos importantes. Mas eu já lhe tinha perguntado o que consideravam mais importante e não houve uma resposta concreta. E um casamento na família Real Britânica, é um acontecimento importante para nós!
Depois está a dizer que há acontecimentos a mais e por isso é preciso fazer uma filtragem. Não me parece, eu dei-lhe exemplos de notícias que saíram na RTP que não cumpriam os critérios de noticiabilidade como por exemplo a família Real Britânica, com o qual concordou. Isso quer dizer que há falta de acontecimentos que cumpram os critérios de noticiabilidade.
O que não pode acontecer é haver falta de rigor e inversão de prioridades. Se disse não existirem razões que desconhecemos para a não publicação de acontecimentos que deveriam ser notícia, então eu pretendo saber porque razão os factos que descrevi, foram ignorados?
Mais, sobre a ausência de resposta da redacção nada disse. Mas da outra vez disse:
Parece-me muito mal que ninguém na RTP lhe tenha respondido. Estou seguro que o seu mail anterior foi encaminhado para uma qualquer estrutura da RTP que faltou ao respeito que as suas questões (como quaisquer outras) merecem;
Considero que isto também é válido para o que aconteceu agora.
RTP Provedor:
(Não respondeu)
Para Provedor:
Eu sei que não tem apenas os meus e-mails para responder, por isso aguardo resposta aos meus e-mails e lembro-lhe que têm um "Código de Ética e Conduta", onde diz:
- Somos sérios e rigorosos. Informamos, formamos e entretemos. Somos relevantes e criamos valor.
- A confiança é o nosso valor basilar e o centro da relação com o nosso público. Somos independentes, imparciais e honestos. Estamos comprometidos com objetivos ao mais alto nível de imparcialidade, rigor e honestidade no tratamento da informação e dos programas que produzimos e exibimos.
- A nossa programação e a nossa informação não estão sujeitas a influências externas. As nossas decisões editoriais não dependem de quaisquer poderes públicos ou privados. Garantimos a precisão e a honestidade da nossa mensagem informativa e uma rigorosa equidistância perante quaisquer interesses públicos ou privados.
- Tratamos todos com justiça, no escrupuloso respeito da dignidade da pessoa humana e com particular acuidade no caso dos segmentos mais frágeis do público - crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais.
- A violação das normas deste Código constitui falta grave e suscetível do procedimento julgado adequado.
Já agora pergunto se alguma vez a actualidade e a importância de outros acontecimentos que sucederam no mesmo intervalo de tempo, determinou que por exemplo:
- Nascimentos, fotos do príncipe, anúncios de noivado, casamentos, etc., na família Real Britânica, não fossem notícia?
- Clubes portugueses de futebol em torneios no estrangeiro, não fossem notícia?
- Festivais, não fossem notícia?
- Casal constrói casa em cima de um camião, não fosse notícia?
- Em Nova Iorque, Girafa grávida é a nova estrela da internet, não fosse notícia?
- Treinador português no estrangeiro aparece vertido de zorro, não fosse notícia?
- Leste da China tem autoestrada construída à volta de uma casa, não fosse notícia?
- McNamara casa-se na praia onde surfou onda de 30 metros, não fosse notícia?
- Mick Jagger faz 75 anos, não fosse notícia?
- História do Manchester City contada por Pep Guardiola, não fosse notícia? (Como sabe o Manchester City é um clube português e por isso é muito importante para nós!)
Não me diga que tudo isto foi notícia, porque não havia nada mais importante no momento e há sempre essa coincidência de nunca haver!
Ou o Sr. Provedor não vê as notícias da RTP e fala sem conhecer a realidade ou quer "atirar areia para os meus olhos".
RTP Provedor:
(Não respondeu)
Para Provedor:
Todos temos direito a férias e espero que tenha estado de férias para não me responder. Mas agora já passou mais de um mês sobre o meu e-mail, pelo que aguardo resposta.
E lembro-lhe o que disse sobre quem não cumpre os seus deveres de responder:
Parece-me muito mal que ninguém na RTP lhe tenha respondido. Estou seguro que o seu mail anterior foi encaminhado para uma qualquer estrutura da RTP que faltou ao respeito que as suas questões (como quaisquer outras) merecem;
Se não responder, agora o que disse aplica-se a si.
Resumindo, eu fiz apenas duas perguntas simples:
- Uma vez que nem tudo o que acontece pode ser notícia, qual o vosso critério de publicação de notícias?
- Como nem tudo tem a mesma importância, quais são as prioridades?
Não respondeu directamente à questão como devia e indicou alguma informação que eu consultei e fui eu que fiz a lista dos critérios. Enviei a lista para si com a qual concordou. Assim a lista tinha os critérios que são seguidos pela RTP para a publicação de notícias. Eu repito para a publicação de notícias e não para a NÃO publicação de notícias.
Fico perplexo quando vêm dizer que afinal a RTP não segue essa lista para escolher as dezenas de acontecimentos que são noticiados.
Tenho de concluir quer arranjar uma justificação para a redacção ter ignorado por razões desconhecidas os factos que indiquei. Eu esperava que o Provedor fosse imparcial!
Tudo isto que aconteceu mostra que há falta de transparência na RTP e que o Código de Ética e Conduta é para "Inglês ver".
Já agora a RTP não tem um Estatuto Editorial?
RTP Provedor:
Esta sua última mensagem (tal como anteriores) não acrescenta nenhum facto novo ao que já me tinha transmitido e a que eu já respondera.
Para Provedor:
Ao contrário do que disse no seu e-mail:
Esta sua última mensagem (tal como anteriores) não acrescenta nenhum facto novo ao que já me tinha transmitido e a que eu já respondera.
O que eu disse acrescenta factos novos pois eu contestei os seus argumentos com factos e fiquei sem resposta. Nem eu nem o Provedor somos donos da verdade, eu tenho direito a contestar a sua resposta, ao não responder significa que não teve argumentos para responder.
RTP Provedor:
(Não respondeu)
Conclusão:
1. O Provedor disse que na RTP estão obrigados a cumprir os critérios que regem a profissão de jornalista, mas quando perguntei afinal quais são esses critérios, a resposta foi evasiva. Dizer que era preciso um curso de jornalismo, não é resposta que se dê e é uma forma de fugir à resposta. Apesar do Provedor ter dito não existirem “razões que desconhecemos” na redação da RTP no que toca à definição daquilo que é noticiável daquilo que não é, eu continuo sem saber porque razão os factos que indiquei e que cumpriam vários critérios de noticiabilidade, foram ignorados.
2. Os critérios que a RTP usava para decidir se determinados factos/acontecimentos deviam ou não ser notícia, eram os que constavam na lista até chegar à redacção que não quer seguir regras, mas fazer o que entende. Então falou com o Provedor e este arranjou uma forma de explicar porque razão os factos que indiquei foram ignorados. Como a explicação que deu não faz sentido, eu contestei-a mas fiquei sem resposta, o que confirma o que disse. O Provedor deve ser independente e estes factos mostram que não foi. Entendo que o Provedor do Telespectador foi pressionado, o que não pode acontecer.
3. No dia 6 de Maio mais uma vez a importância de acontecimentos que sucederam no mesmo intervalo de tempo permitiu que um nascimento na família Real Britânica e que a coroação do Rei da Tailândia fossem notícia na RTP. Como já devem ter percebido, permite sempre! E como faltava o nome, dois dias depois ficámos a sabê-lo. Podem ver aqui:
Nasceu o filho de Meghan Markle e do príncipe Harry
Archie Harrison foi o nome escolhido para o primeiro filho do príncipe Harry e Meghan Markle
Tailândia. Coroação do novo rei custou 28 milhões de euros
4. A redacção está acostumada a ignorar factos que os telespectadores enviam com o objectivo de serem notícia, não dando qualquer resposta. Além de não ser correcto, este comportamento é uma violação do Código de Ética e Conduta.
5. Os critérios de noticiabilidade são usados em teoria, a prática é outra, é um meio obscuro.
6. A Lei da televisão diz:
Artigo 9º - Fins da actividade de televisão
1 b) - Promover o exercício do direito de informar, de se informar e de ser informado, com rigor e independência, sem impedimentos nem discriminações.
Artigo 36º - Estatuto editorial
1 - Cada serviço de programas televisivo deve adoptar um estatuto editorial que defina clara e detalhadamente, com carácter vinculativo, a sua orientação e objectivos e inclua o compromisso de respeitar os direitos dos espectadores, bem como os princípios deontológicos dos jornalistas e a ética profissional.
4 - O estatuto editorial dos serviços de programas televisivos deve ser disponibilizado em suporte adequado ao seu conhecimento pelo público.
Ora tudo isto que a Lei da televisão diz só faz sentido se houverem formas de verificar que não está a ser cumprido. Mas o que a RTP (e não só) quer é que não hajam formas de verificar que não está a ser cumprido para serem livres de fazerem o que entendem. Além disso há falta de transparência numa área tão importante como a informação. Este comportamento da RTP põe em causa a isenção e a credibilidade da informação pois os critérios usados para decidir o que publicar e o que não publicar não são conhecidos.
7. Apesar da Lei da televisão dizer que o estatuto editorial deve ser do conhecimento público, ele não foi disponibilizado.
8. Mas foi quem no seu tempo livre publicou umas coisas que nada tinham a ver com a RTP, que saiu.
9. Os jornalistas só querem ter direitos, nada de deveres a não ser que lhes interesse para justificar algo que publicaram e foi criticado. Nesses casos eles dizem que têm o dever de informar o que tem interesse público, mas quando não lhes interessa eles esquecem esse dever. A comunicação social não divulga os critérios usados para decidir aquilo que devemos saber e aquilo que não devemos saber, mas eles dizem: "Damos valor à sua privacidade". Mas a transparência na informação que é mais importante não interessa. O que interessa são as aparências.
10. Como disse no início, a informação e as notícias são importantes e por isso os media são considerados o 4º poder. Como o mundo é imperfeito, os media tanto podem informar e denunciar como manipular e enganar, por isso as regras e a transparência são fundamentais em toda a comunicação social. Sabemos que são publicadas "carradas" de notícias com pouco ou nenhum interesse, algumas são histórias para "adormecer" as pessoas, mas não sabemos o que é ocultado (agora sabemos que o que se passou com a ONG foi ocultado). Sabemos "tudo" o que acontece noutros países, mas não sabemos “tudo” o que acontece cá. Factos importantes que deveriam ser do conhecimento público, podem estar a ser ocultados. A ocultação de factos com relevante interesse público é uma forma de enganar pois ficamos com uma ideia errada da realidade. Temos motivos para estarmos preocupados com a credibilidade da informação.
