Comunicação social, um "cancro" na sociedade.

(Se não conhece este blogue, deve começar a lê-lo pelo 1º post: Porquê mais um blog?, até porque tem lá grandes frases como "O que mais me preocupa é o silêncio dos bons")
(Resolvi aumentar o tamanho da letra pois parece que alguns vêem mal. Precisamos "pôr o dedo na ferida" pois só assim conseguimos construir um mundo melhor. Infelizmente alguns olham para este blog como "um burro a olhar para um palácio". Outros parece que competem entre si a ver quem consegue ser mais hipócrita, mais falso. O que interessa é manter as aparências!)
Não vou falar em coisas como o plástico, o ambiente, as alegadas alterações climáticas que além de serem alegadas não percebi bem as suas consequências nem quando elas se vão sentir. Não vou falar em animais, touradas, etc. Não vou falar em descriminação contra negros pois também as há em relação a brancos. Além disso existem outros problemas mais graves do que descriminação. Não vou falar nas compras ou nos passeios que faço. Não vou falar em Trump, Bolsonaro ou outros. Não vou falar em humor. Não vou falar em desporto. Não vou falar em comida. Se falasse corria o risco de ver o meu post destacado e seria uma chatice. Muitos ficavam a saber que falava nestes assuntos quando há outros importantes ou bem mais importantes, iria sentir-me mal.
Vou falar em assuntos importantes que afectam as pessoas. Para quem não sabe, as pessoas estão acima das coisas e dos animais, devem ser a prioridade. O progresso civilizacional de um país avalia-se principalmente pela protecção dada aos mais fracos. A publicidade protege os mais fracos de eventuais abusos dos mais fortes.
Na sequência dos vários posts Um "polvo" na comunicação social e de outros posts que criticam a comunicação social, aqui fica um resumo e mais alguma informação.
A informação e as notícias são importantes e por isso os media são considerados o 4º poder. Como vivemos num mundo imperfeito, em todo o lado podem acontecer irregularidades e os media não são nem poderiam ser uma excepção, embora alguns nos queiram convencer disso. Assim os media tanto podem informar e denunciar como manipular e enganar, por isso as regras e a transparência são fundamentais. Vejam estes excelentes artigos, Jornalistas e jornaleiros que também fala num "cancro" na sociedade e A caminho da superficialidade que critica o interesse dos assuntos escolhidos para serem o centro da atenção e também quem os consome.
Antes do 25 de Abril, no tempo da ditadura, alguns decidiam o que devíamos e o que NÃO devíamos saber, e chamavam a isso censura.
Agora a situação mantêm-se, a comunicação social faz "filtragens" de acordo com critérios desconhecidos e decide o que devemos e o que NÃO devemos saber. Eles apenas publicam o que lhes interessa ou o que não consigam ocultar. Não se iludam, não existem "almoços grátis", quase tudo é feito com base em interesses e não em valores ou princípios. O que eles publicam passa a ser a realidade, o que eles ocultam ou mesmo censuram é como se não existisse. A ocultação de factos com relevante interesse público é uma forma a enganar pois ficamos com uma ideia errada da realidade. É pior do que "fake news", pois essas ainda as vemos e assim podemos nos defender. Um dos sinais do Retrocesso civilizacional é que antes isto era criticado mas agora poucos falam nisto até porque em geral sabemos apenas o que sai na comunicação social e dificilmente publicam algo que seja contra eles. Como é evidente censura depende do que se faz e não de quem o faz. E a censura quando praticada pelos próprios jornalistas que têm o dever de a repudiar conforme diz o artigo 14º b) do Estatuto do Jornalista (ver por exemplo Um "polvo" na comunicação social (parte 4)), chama-se auto-censura.
Em geral não sabemos o que eles ocultam ou mesmo censuram, mas sabemos o que eles publicam, o que eles querem que saibamos, e devemos ficar preocupados. A mim interessa-me saber informação relevante que sirva para alguma coisa. Quem quiser diversão, deve procurar programas de entretenimento, não a comunicação social. Alguns exemplos do que eles publicam:
- Amor em tempo de pandemia. Casal idoso namora todos os dias na fronteira entre Alemanha e Dinamarca.
- Amor em tempo de pandemia. Norueguesa e sueco casam-se na fronteira entre os dois países.
- Devemos dar nomes às vagas de calor como damos aos furacões? (E que tal dar nomes também às vagas de frio!)
- O casal que protege as praias de Santa Cruz e até já encontrou lixo dos anos 80 (incluindo uma caixa de cloroquina).
- Jurgen Klopp eleito melhor treinador da liga inglesa.
- Morreu aos 71 anos irmão mais novo do Presidente dos Estados Unidos.
- Morreu o irmão mais novo de Donald Trump.
- Casa Real espanhola revela paradeiro do rei emérito Juan Carlos.
- Casa Real espanhola confirma que Juan Carlos está nos Emirados Árabes Unidos.
- Barcelona paga 5 milhões por Koeman.
- Tribunal da Geórgia proíbe uma mulher de ver telenovelas 24 horas por dia.
- Irmã mais velha de Donald Trump diz que Presidente "não tem princípios" (O problema está sempre só nos outros!).
- Adenda 1: O governo de Sydney encomendou 10 novos ferries… mas não passam nas pontes do rio.
- Boris Johnson prepara-se para deixar o governo britânico em fevereiro.
- Adenda 3: Quem poderá suceder a Shinzo Abe para o cargo de primeiro-ministro japonês?
Estes são alguns exemplos entre muitos, é só estar atento, todos os dias há mais.
Como podem ver, a maior parte destes exemplos dizem respeito a factos ocorridos noutros países. E a maior parte do que acontece noutros países apenas tem interesse internamente e quando publicado noutros países serve para desviar a atenção do essencial, gera ruído. Outros são assuntos privados, histórias, sem interesse público e servem para divertir.
Eu disse no início, como vivemos num mundo imperfeito, em todo o lado podem acontecer irregularidades e os media não são nem poderiam ser uma excepção. Assim as entidades reguladores são fundamentais. Por ser importante eu quis saber como a comunicação social decide o que devemos e o que NÃO devemos saber e como as entidades reguladores actuam no caso de incumprimento da lei. Por ter relevante interesse público, publiquei o que descobri nos posts Um "polvo" na comunicação social e é bastante preocupante. As entidades que contactei são:
- RTP
- Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)
- Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ)
- Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas (CDSJ)
Com estas entidades reguladoras que já foram criticadas por passividade, não admira que depois a comunicação social tenha certos comportamentos. O que está nos posts Um "polvo" na comunicação social aconteceu no mesmo país que se preocupa com o ambiente e os animais, quando as prioridades devem ser as pessoas. Somos mesmo um país avançado! Interessa as aparências, interessa a diversão, interessa desviar a atenção do essencial.
Devido à censura e à manipulação que existe na comunicação social, vemos muitos a discutirem o que acontece com o ambiente e os animais quando deviam estar a discutir o que acontece com as pessoas, porque os assuntos relacionados com pessoas são por vezes ocultados, as pessoas são por vezes tratadas abaixo de cão. E muitos nem percebem que estão a ser manipulados para discutirem o que a comunicação social quer que seja discutido. Interessa que o povo seja inculto pois assim é mais fácil ser manipulado.
Devido à estupidificação da sociedade por parte da comunicação social só possível graças à colaboração dos idiotas (vejam A Civilização do Espectáculo e Geração de idiotas), depois é difícil divulgarmos informação relevante. Olham para ela como "um burro a olhar para um palácio", procuram o "circo". Já sabemos que muitos só pensam no seu "umbigo", mas são tão idiotas que nem percebem que isto também é do seu interesse.
Adenda 2: Às vezes há mesmo coincidências, vejam este artigo que devem mesmo ler Falemos de censura, onde entre outras coisas diz:
"Informação é poder. Por isso sempre houve tendência para a controlar (...). De momento existem duas novas formas de censura. A primeira delas é o excesso de informação irrelevante. (...) despejam constantemente toneladas de informação inútil sobre o público".
Mais outro que critica tal como eu a comunicação social, as "toneladas" de informação inútil a que eu chamo "lixo", ruído, diversões. Mas os idiotas infantis consomem-na em grandes quantidades e ficam contentes com uma "mão cheia de nada".
Não concordo com o autor quando diz que são duas novas formas de censura, é manipulação ou desinformação pois censura equivale a ocultar algo.
Também não concordo quando diz que a censura tradicional de ocultar informação incomoda (ou relevante) está ultrapassada, não está, apenas os censores passaram a ser outros. Até porque em geral não sabemos o que é ocultado, assim como podemos ter a certeza que não acontece? É preocupante quando alguns decidem o que devemos e o que não devemos saber.
É interessante que o autor termina dizendo “O povo bem informado jamais será enganado!”, pois eu tenho dito que o povo inculto é mais fácil ser manipulado. Por isso vemos a insignificância de muitos assuntos escolhidos para serem o centro das atenções. Interessa que o povo continue a ser inculto e infantil, e que fique maravilhado com tudo e com nada.
Vejam também Estratégias de manipulação.
Adenda 4: Mais um artigo que devem mesmo ler, Se a televisão não mostrou, então, não aconteceu! Só um reparo, o título deve ser, "Se a comunicação social não mostrou, então não aconteceu!", pois o problema não são só as televisões. Eu tenho dito, o que a comunicação social mostra passa a ser a realidade, o que oculta é como se não existisse. Outro problema é que o povo inculto e infantil não compreende as implicações deste comportamento da comunicação social. Para eles só existem "fake news".