Um "polvo" na comunicação social (parte 5).
(Se não conhece este blogue, deve começar a lê-lo pelo 1º post: Porquê mais um blog?, até porque tem lá grandes frases como "O que mais me preocupa é o silêncio dos bons")
Tive conhecimento deste artigo que devem ler O mau jornalismo é como a má moeda, expulsa o bom, onde entre outras coisas diz:
- Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica?
- Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo?
O artigo diz que na sequência do COVID-19, o Sindicato dos Jornalistas (SJ), enviou uma nota às direcções de informação a alertar para que velem pelo escrupuloso cumprimento das mais básicas regras da profissão por parte dos seus jornalistas. E as perguntas em cima são para o SJ, acordaram agora para o mau jornalismo que se pratica!
É interessante que além de criticar o SJ, também critica a Comissão de Carteira (CCPJ) e a ERC. Não é comum as Entidades Reguladoras serem criticadas por inércia, por passividade na regulação do sector, por alguém de dentro. Não é qualquer um que o faz, admito que é preciso ter coragem, o que dá mais valor ao artigo.
Encontrei no artigo uma frase interessante que desconhecia, "Prego que se destaca, deve ser martelado".
O artigo fala também em interesse público e interesse do público, algo que já conhecia. Interesse público é informação relevante que por isso deve ser do conhecimento público. Interesse do público é informação insignificante, divertida, sensacionalista, "circo". A procura de audiências nem que para isso explorem a desgraça alheia, nem que para isso contribuam para a estupidificação da sociedade. O artigo também diz, "Deixar que o público (que pode ser ignorante mas raramente é totalmente parvo) acabe a distinguir (...)". De facto o público também é um problema, se existe "jornalixo" é porque muitos o consomem! E quanto mais inculto for o povo, mais fácil é ser manipulado, mais consome "jornalixo".
Mas o problema não é só o que se publica, é também o que tendo relevante interesse público não é publicado, é censurado. O que se publica ainda vemos e por isso podemos criticar, já o que não se publica em geral não sabemos. Há falta de transparência nos critérios usados para decidir o que devemos e o que não devemos saber. A ocultação de factos com relevante interesse público é uma forma de enganar.
Eu andei a investigar alguma comunicação social e as Entidades Reguladoras. Por ter relevante interesse público, publiquei o resultado nos restantes posts Um "polvo" na comunicação social. Nesses posts podemos verificar que as criticas que o artigo faz às Entidades Reguladoras fazem sentido. Então quando falamos em censura, não é nada com elas. Mas após insistência... É melhor verem, inacreditável!
Adenda 1: Repórteres Sem Fronteiras denunciam violações da liberdade de imprensa. Pois eu denuncio censura e "circo" na imprensa! Eles que respeitem o direito fundamental dos cidadãos a informação livre de censura e que informe sobre o que é relevante. Não que divirta para procura de audiências que eles próprios criaram e alimentam. Pelos estatutos editoriais vemos que alguns nem sabem o que é liberdade de imprensa. Outros confundem liberdade de imprensa com liberdade para fazer "tudo e mais alguma coisa". Os jornalistas são especiais, "colocam-se num pedestal", querem ter direitos mas não deveres!
Adenda 2: Como disse, temos de estar preocupados com os poderes onde parece que são todos muito correctos pois o mais certo é algo estar a ser escondido. Vejam este artigo que vem mesmo numa boa altura, Os jornalistas no saco azul do GES e a teoria geral do funil. Onde entre outras coisas diz: "(...) alegados ou reais jornalistas que, enquanto exercitavam o direito a informar, recebiam quantias de um dos maiores grupos financeiros de Portugal." Quando censuram, marimbam-se para o dever de informar sobre o que é relevante e acham que existe o direito de manipular. Quem nos guarda dos "guardas"?