Um "polvo" na comunicação social (parte 6).

Imagem: Não penso, não existo, só assisto.
(Se não conhece este blogue, deve começar a lê-lo pelo 1º post: Porquê mais um blog?, até porque tem lá grandes frases como "O que mais me preocupa é o silêncio dos bons")
(Adenda: Precisamos "pôr o dedo na ferida" pois só assim conseguimos construir um mundo melhor. Infelizmente alguns olham para este blog como "um burro a olhar para um palácio". Outros parece que competem entre si a ver quem consegue ser mais hipócrita, mais falso. O que interessa é manter as aparências!)
Tive conhecimento desta notícia TVI: conselho de redação dá razão a diretor e põe em causa isenção e rigor de Ana Leal e da equipa, que devem ler. Esta notícia entre outras coisas diz:
- "(...) a equipa de jornalistas coordenada por Ana Leal acusa a direção de informação da TVI de censurar peças jornalísticas incómodas para o poder político e para as autoridades de saúde".
- "Jornalismo é informar, mas é sobretudo ter a noção do papel que desempenha na sociedade. Por isso também é filtrar (...)".
- "É com esse sentimento de liberdade que o grupo de jornalistas que compunha o ‘Programa Ana Leal’ considera absolutamente inaceitável que o diretor de informação nos diga como já disse para ficarmos quietos. Não. Não podemos. É o próprio Estatuto dos Jornalistas que nos veda tal comportamento".
Da forma como alguns falam parece que os jornalistas fazem parte de uma das classes onde são todos muito correctos. Mas segundo esta notícia afinal não é assim e ainda bem pois vem dar razão ao que eu tenho dito.
Mas a comunicação social censura! Segundo alguns eles são especiais e apenas fazem filtragens. Fazem filtragens de acordo com certos critérios desconhecidos. Mas gostam de criticar outros por falta de transparência. "Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço!" Algumas dessas ditas filtragens são de facto censura e só se censura o que é incómodo, já antes do 25 de Abril era assim. A comunicação social deve filtrar mas é o "lixo", pois a maior parte dos acontecimentos não têm relevância para serem notícia. Mas infelizmente vemos muito "lixo", ou seja eles fazem mal a filtragem. Fazem a filtragem de acordo com os seus interesses e o interesse do público, mas não com o interesse público como devia ser. Eu não me enganei, há "interesse do público" e "interesse público" e a diferença está explicada neste post Um "polvo" na comunicação social (parte 5).
A notícia diz também que os jornalistas não podem ficar quietos perante certos acontecimentos pois isso seria violar o Estatuto dos Jornalistas. Mas desde quando as regras são para de facto serem cumpridas quando dificilmente se consegue saber que foram violadas! Se eles ficarem quietos, quem é que vai ter conhecimento disso? Quem sabe os factos que eles censuram? Em geral não sabemos, sabemos quando alguém de dentro denuncia isso, o que é muito improvável.
De facto o jornalismo desempenha um papel importante na sociedade e por isso além de direitos tem deveres, mas alguns esquecem-se disso. Quando a comunicação social oculta informação relevante, equivale a manipular, a enganar. Devemos ficar preocupados com o conteúdo predominante que é informação insignificante e divertida. É isto que querem que vejam!
Vejam também os restantes posts 'Um "polvo" na comunicação social'.